— 50 —
ficios) que se näo desdenhe de me fazer entender que obras haem Italia famosas de pintura, para saber quantas ja tenho vistas,e quantas me fallecem por ver.«
— »Longa cousa me pedis, M. Francisco, dixe MicaelAngello, e larga e deficil de ajuntar, pois sabemos que näo haprincipe, nem hörnern privado ou nobre em Italia, nem quemalguma cousa presuma, por pouco corioso que eile seja (deixoos excellentes que a adoram), que näo faca por ter alguma reli-quia da divina pintura, ou que ao menos da que podem näomandem fazer muitas obras.') Assim que por muito nobres ci-dades, fortalezas, quintas, pacos, e templos, e outros privados ef. 114, publicos edeficios, | d'ella stä semeada boa parte de sua fremo-sura. Mas como eu ordenadamente todas näo tenha visto, d'al- 1gumas que säo principaes poderei dizer.
Em S e n n a ha alguma pintura singular na casa da camara
e noutras partes. Em Florenca, minha patria, nos pacos dos
Medices ha obra de grutesco de Joao da Udine; assi por toda
Toscana. Em Orbino, o paco do duque, que foi meio pintor,
tem muita obra e para louvar; e assi a quintan chamada Em-
p e r i a 1, a par de P e s a r o, edeficada por sua molher, e bem ma-
nificamente pintada. Assi mesmo, o paco do Duque de Mantua,
onde Andre fez o triumpho de Caio Cesar, e nobre; mas mais
a obra da strebaria dos cavallos, pintados por Julio, descipolo
de Rafael, que agora em Mantoa florece. Em Ferrara temos
pintura de Dosso no paco do Castello; e em P a d u a tambem lou-
vam a logia de M. Luis, e a fortaleza de Lenhago. Ora em
Veneza ha admirabeis obras do cavalleiro Teciano, hörnern va-
lente na pintura e no tirar ao natural: d'ellas na livraria de Säo
f. 114 Marcos, d'ellas nas casas dos Alemäes. I E outras em tem-v
plos, e d'outras mäos boas. E toda aquella cidade e uma boa
pintura.
a
1 ) Man erwartet: da que pode näo mande fazer muitas obras.