f. 127. | Terceiro Dialogo.
Näo sömente ao outro domingo seguinte näo nos pudemosajuntar com a senhora Marquesa e com M. Angelo, mas indaao outro, d'ali a oito dias, fomos quasi empedidos e nos näoqueriamos congregar. E isto porque em aquelles dias fazia-se nacidade de Roma a festa dos doze carros triumphaes no campoNagäo, ao modo antigo, saindo do Capitolio com tanta maniii-cencia e anteguidade, que parecia a hörnern que se via no antigotempo dos emperadores e triumpho dos Romanos. E fazia-seentäo aquella festa no casamento do senhor Ottavio, filho dePedro Luis e neto do Papa e senhor nosso Paulo III. ; com asenhora Margarida, filha do emperador, adoutiva; a quäl föra,pouco tempo havia, mulher de Alexandre de Medices, duque deFlorenca, o que mataram täo mal morto a traicäo, em Flo*f. 127 renca. |
E agora, sendo ella viuva e muito moca e fermosa,casou-a Sua Santidade e Sua Magestade com o senhor Ottavio,muito moco e muito gentil hörnern, por onde toda a cidade e acörte os festejaram quanto podiam, ora de noite com seröes ebanquetes e com arder toda Roma em fogos e lumenarias (esobretudo o castello de Santo Angel), ora todos os dias fazendoalgumas festas e gastos. Assi como foi a festa do monte Trestacho(sie), com os seus vinte touros em vinte carretas atados, muda-dos em publico speetaculo na praca de Säo Pedro; e como foio paleo que correram os bufaros e os cavallos por toda a viade Nossa Senhora Transpontina, at6 a praca do mesmo paco.
E assi estas festas que digo, dos doze triumphaes carrosdourados, e inventados de muitas feguras de vulto, e devisasmuito illustres, onde iam os Romanos e os cabecas das regiöes